Quando eu fui fazer minha lista, me deparei com uma série de perguntas. Acredito que todo mundo quando vai começar a escrever sua própria lista tenha a mesma experiência. É fácil listarmos as coisas que queremos comprar. É fácil lembrar das coisas que precisamos fazer, como ir a um médico ou dentista, por exemplo. Estes ítens rapidinho povoam nossas listas. Mas em seguida, bate aquele branco. “O que eu quero? O que eu preciso?” Eu passei por este processo e, sinceramente, ainda não consegui terminar minha lista. E não estou exatamente satisfeita com muitas das coisas que listei. Já vou explicar por que.
Eu acho que cada participante vê este projeto de uma forma diferente. Cada um tem um relacionamento específico com a sua lista. Eu vou contar qual é o meu relacionamento com a minha, por que eu acho que as perguntas acima estão erradas e como pretendo completar minha lista. Pode servir de exemplo pra alguém que pense como eu.
Eu vejo o projeto como um processo estruturado para:
- Auto-conhecimento: me conhecer melhor, aumentar meu nível de consciência sobre meus próprios sonhos, meus objetivos de vida, minhas prioridades, meus valores, etc.
- Organizar estes pensamentos de uma maneira estruturada, de forma que eu possa manter uma perspectiva de conjunto e de como as coisas se inter-relacionam.
- Manter controle e perspectiva sobre as coisas que conquisto. Considero esta parte fundamental, porque enxergar as próprias conquistas nos dá a medida exata dos nossos esforços, bem como a motivação para continuar.
No fundo, é apenas isso. Um processo estruturado, uma metodologia, como você preferir. Mas pra que? Qual é o objetivo maior?
Para mim, é me tornar uma pessoa melhor, mais consciente, mais forte e mais alinhada com meus propósitos de vida ao longo do processo. Este é o objetivo deste projeto para mim, pessoalmente. E eu acho que se você fizer uma reflexão séria antes de começar a escrever sua lista (ou até mesmo depois, altere algumas das suas metas se achar necessário, por que não?), vai acabar encontrando sentido neste conceito. A não ser que você veja sua lista apenas como uma lista de coisas a fazer. E se este é o propósito que o projeto tem para você, ele é tão válido quanto qualquer outro. Mas aí, você estaria desperdiçando uma chance de otimizar o processo ao seu favor e, ao final dos 1001 dias poder olhar pra trás e pensar: “Uau, quantas mudanças positivas eu fiz na minha vida! Quanto eu cresci com isso!”
Nem todo mundo vai se identificar com este enfoque. Ele é lógico para mim porque sou uma pessoa que busca crescimento pessoal constantemente. Então enxergar o projeto desta forma é natural dentro da minha lógica. Eu não espero que todo mundo que participa do projeto tenha o mesmo enfoque e, evidentemente, não existe qualquer regra quanto a isso. Cada um usa o processo como melhor lhe convém. Mas eu acredito que algumas pessoas encontrem o mesmo sentido nisso tudo. Se você é uma destas pessoas, continue lendo.
Em entrevistas de emprego, é comum o entrevistador nos perguntar: “Onde você se vê daqui a cinco anos?” Aí damos aquelas respostinhas corporativas que só têm sentido dentro do ambiente profissional, mas que no fundo não dizem muito - e eu, particularmente, vejo como extremamente limitantes. Esqueça isso. Tome distância da sua realidade atual e olhe de fora, como um todo. Analise como as diversas áreas da sua vida se inter-relacionam. Como a sua saúde está afetando sua vida profissional? Como seu trabalho influencia sua vida social e familiar? Faça esta análise para ter um diagnóstico claro de como sua vida é hoje. Então, volte um pouco no tempo e pense em quanto da sua situação atual, como um todo, reflete as expectativas que você tinha para sua vida um ano atrás. Dois anos atrás. Cinco anos atrás. Vá ainda além: de quem eram estas expectativas? Suas ou de outras pessoas? Seja crítico(a). Se você vai gastar 1001 dias da sua vida buscando determinadas coisas, é melhor que você tenha uma idéia muito clara de quem você é hoje, como você chegou até aqui (erros e acertos, padrões de comportamento que talvez você precise mudar) para, então, poder definir um rumo consciente.
Se, ao fazer sua lista, você simplesmente se pergunta “O que eu quero? O que eu preciso?”, você está se fazendo perguntas limitadoras. É claro que você precisa saber o que quer, mas precisa ampliar esta pergunta a um contexto maior se quiser ganhar a perspectiva necessária para compreender quais são as coisas que vão te possibilitar crescimento pessoal e congruência com seus propósitos. E saber o que você quer e definir seus propósitos de vida é mais complexo do que parece. Eu escrevi no meu blog um post falando sobre sonhos, questionando o quanto somos condicionados a achar que querermos coisas para nossas vidas e o quanto a falta de questionamento sobre isso pode criar frustrações. Passe por lá se tiver interesse em ler sobre isso, pode te ajudar neste processo de definir seus propósitos.
Mas mesmo que você ache que isso é ir um pouco além do que você quer neste momento, ao menos faça uma análise honesta da sua situação atual e de onde realmente você quer chegar. E para definir onde você quer chegar, pergunte-se coisas como: “Como eu quero estar me sentindo em 1001 dias? Quais são as coisas que eu preciso mudar na minha situação atual, que são incongruentes com o que eu quero pra minha vida? O que eu posso fazer para me desafiar a me tornar uma pessoa melhor, mais forte, mais consciente? Quais pequenas mudanças eu posso fazer na minha vida no curto prazo para melhorar minha qualidade de vida? Como eu posso contribuir de alguma forma em alguma área? Em que áreas da minha vida eu estou me auto-sabotando e criando resultados negativos? Quais são meus medos e quanto eles estão limitando minhas possíveis conquistas e como eu posso enfrentar e vencer estes medos?” Enfim… Faça perguntas que desafiem seu potencial e as responda de forma honesta. Você vai ver que novos ítens para sua lista vão começar a surgir como água e, mais importante, de uma forma muito mais crítica e, portanto, com maior potencial de criar mudanças relevantes pra você. Pode ser - e provavelmente será - um processo mais longo, como está sendo pra mim (por isso minha lista não está completa). Mas o resultado será também mais recompensador.
Outra coisa que pode acontecer se você optar por dar esta direção para sua lista é você notar que alguns dos ítens que já listou deixam de fazer sentido. Substitua estes ítens por outros que resultarem desta reflexão. Sua lista não está registrada em cartório, ela é um guia para te manter na direção certa, com foco. Mude o que for necessário, as decisões são suas, a vida é sua, os resultados serão seus.
No entanto, nada disso significa que sua lista precise ser um “tratado filosófico”. Na verdade, o que muda é o propósito por detrás dos ítens, não necessariamente os ítens em si. A lista de uma pessoa que passa por este processo pode soar muito parecida com uma lista de uma pessoa que simplesmente anotou coisas que quer fazer sem nenhum tipo de reflexão mais aprofundada. No fim, listamos coisas como “ir ao médico tal”, “fazer mudanças na dieta”, como metas que vão refletir em qualidade de vida, mais energia, etc. E isso pode ser crítico para que você consiga alcançar outras coisas, por exemplo. E isso vale pra tudo, você pode precisar comprar coisas para atingir seus objetivos e assim por diante. O que torna estas metas diferentes, portanto, é a intenção por detrás delas.
Eu já completei vários ítens da minha lista. Alguns deles, se eu fosse começar o projeto hoje, eu provavelmente nem teria listado. Mas estou satisfeita por ter realizado uma boa parte deles. Outros, ainda em aberto, eu vou manter. Outros eu vou substituir. E como resultado do processo que descrevi acima, vou acrescentar novos - e, no meu caso, esta reflexão está sendo looooooonga… e bem aprofundada (na verdade, ela estaria acontecendo independentemente do projeto pra ser sincera). Mas o mais interessante disso tudo é que o processo em si de definir ítens pode ser incrivelmente rico, se feito da maneira certa. Poranto, se você, assim como eu, vê neste projeto uma oportunidade de crescimento pessoal, não tenha pressa. Faça sua lista com calma. Ela nem precisa estar completa para que você possa postar seu link. A minha não está! rs
Enfim… Queria ouvir opiniões. Que propósito você dá à sua lista? Este artigo mudou sua perspectiva de alguma forma?
Bom fim-de-semana para todos.
No espírito de começar a escrever artigos que ajudem os participantes do projeto com algumas dicas para completarem suas metas, como falei no post anterior, resolvi hoje escrever sobre procrastinação, algo que freqüentemente nos impede de começar a tomar atitudes efetivas na direção daquilo que queremos realizar.
É comum as pessoas terem uma certa tendência a adiar coisas que consideram chatas, dolorosas, difíceis, complicadas, etc, até o último minuto. Pessoas mais motivadas, mais conscientes e mais organizadas aparentemente lidam melhor com isso. Mas em algum nível, todos nós procrastinamos em algum momento, em alguma área da nossa vida. E há vários possíveis motivos pelos quais fazemos isso, tais como baixo nível de energia, alto nível de stress, saúde debilitada, medo, receio, preguiça, até mesmo um pouco de rebeldia quando olhamos para algo que nos soa como obrigação.
O problema com a procrastinação é que ela se auto-alimenta. Especialmente quando ela está associada ao medo. Mas de uma forma geral, quanto mais adiamos algo, mais resistentes ficamos a iniciar a tarefa em questão. Até que, obviamente, chega um ponto em que adiar deixa de ser uma opção e somos obrigados a correr atrás do prejuízo. No trabalho é mais complicado deixar coisas pra última hora, porque além de haver a presença constante da consciência da responsabilidade e pessoas cobrando resultados, as conseqüências da procrastinação podem ser drásticas e até mesmo custar seu emprego. Então, as pessoas tendem a ser mais conscientes e pró-ativas neste sentido no ambiente de trabalho. Mas e na sua vida pessoal?
É importante lembrar que, assim como no trabalho, as conseqüências da procrastinação na nossa vida pessoal também existem - e se manifestam nas mais diversas formas, afetando nossa qualidade de vida, nossa saúde, nossos sonhos, nossas finanças, etc. No entanto, ao invés de focar este artigo em questões de produtividade e nas coisas chatas que temos que fazer no nosso dia-a-dia, eu quero que você pense neste assunto tentando se conscientizar sobre quais são os prejuízos que a sua vida sofre toda vez que você deixa de fazer HOJE algo que pode tornar sua vida melhor amanhã.
Muita gente adota uma linha de pensamento totalmente auto-enfraquecedora dizendo a si mesmo: “Se eu fosse mais rico (ou mais magro, ou mais saudável, ou mais bem-relacionado, ou menos ocupado, ou menos rodeado de pessoas idiotas, etc, etc, etc…) minha vida seria muito melhor”. Esta linha de pensamento, além de enfraquecer nossa energia, acaba também instruindo o sub-consciente de que 1) você não tem controle sobre sua vida, 2) você tem pouco ou nenhum poder de mudar sua situação e 3) que sua felicidade está obrigatoriamente atrelada a coisas que você não tem ou não é (o que não é necessariamente verdade, tudo depende da sua perspectiva). E, se você diz este tipo de coisa a si mesmo o tempo todo, você reforça a noção de impotência e acaba acreditando que é vítima de situções, sem perceber que, na verdade, a única pessoa que tem poder de causar transformações na sua vida é você mesmo(a). Assim, você reduz o seu nível de consciência sobre a sua própria vida e, por acreditar ser vítima das circunstâncias, acaba realmente sendo. Você delega o controle da sua vida para as circunstâncias. E, acredite, não fazer nada para mudar sua vida se você não está feliz com a sua situação e viver passivamente é uma decisão, tanto quanto tomar atitudes na direção de mudanças, quer você goste disso, perceba isso ou não.
O que isso tem a ver com procrastinação? Tudo! No momento em que você delega o controle da sua vida para as circunstâncias e adota uma postura negativa e passiva, isso começa a comprometer a sua habilidade de agir em benefício próprio - e você tende a adiar cada vez mais as coisas. E sua situação se perpetua. E você continua reclamando e se sentindo cada vez mais vítima e mais impotente. E o ciclo recomeça e se repete indefinidamente.
Trazendo isso para o contexto do nosso projeto: nossas listas contêm 101 coisas que devem ser feitas em 1001 dias. 1001 dias é tempo pra caramba. Mas 101 coisas também é coisa pra caramba. Quais destas coisas você vem protelando? E quais destas coisas que você vem adiando têm um grande potencial de trazer melhorias significativas para a sua vida?
Eu vou sugerir um método que pode trazer bons resultados se você estiver disposto(a) a seguir. Tem funcionado pra mim, muito embora eu tenha feito isso intuitivamente.
Olhe a sua lista, ítem por ítem. Escolha 5 das 101 coisas que você acha que trarão resultados positivos significativos para a sua vida (inclua pelo menos um ítem que vá causar melhoria na sua qualidade de vida). Divida estas 5 coisas entre 3 coisas fáceis ou relativamente fáceis de realizar no curto prazo (isso é importante!) e 2 coisas com um nível de dificuldade maior. Durante uma semana, dê ao menos um passo no sentido da realização de cada uma destas metas, por menor que seja. Se, por exemplo, uma destas metas é doar as roupas que você não usa mais, comece tirando do guarda-roupas 5 peças. E deixe-as em um local visível, que vá te lembrar constantemente do próximo passo, que pode ser doar as 5 peças ou tirar mais peças do guarda-roupas. Para as 2 metas mais complexas ou mais difíceis, faça o mesmo. Dê ao menos um passo, proativamente, na direção da realização destas metas. Se você quiser, designe 15 minutos por dia, marcados no relógio, para cada passo. E como são 5 tarefas, em uma semana você pode usar 15 minutos num dia para uma tarefa, 15 minutos no outro para outra tarefa e assim sucessivamente (e ainda sobram 2 dias para “descansar”.
). Não é muito, certo? Facinho, olhando desta perspectiva. É crítico, portanto, se você tem uma certa tendência à procrastinação, não olhar para cada tarefa como um todo num primeiro momento, porque isso pode te trazer sensações de preguiça, apreensão, medo, ou quaisquer outras coisas que normalmente te impedem de começar a tarefa em questão. Então, concentre-se apenas no primeiro passo por enquanto. O que vai acontecer é que:
- Você vai se sentir ao menos um pouco realizado(a) e mais energizado(a) pelo simples fato de ter iniciado algo que é iportante pra você. E isso vai te dar um impulso para continuar dando os passos seguintes.
- Na minha experiência, notei que o primeiro passo é o mais difícil. Uma vez vencida esta barreira, a tendência é que você, ao invés de dar apenas um pequeno passo, acaba se animando e fazendo mais do que inicialmente pretendia fazer. Mas não comece com isso em mente, concentre-se apenas em dar um pequeno passo, porque se você olhar para a tarefa como um todo esperando completá-la de uma só vez, você volta à estaca zero, sentindo a tentação de adiá-la.
Faça esta experiência por uma semana. Se funcionar para você, utilize o mesmo método para dar os passos seguintes, ainda dentro das mesmas metas, até que elas se completem. E depois volte aqui no blog para contar quais foram seus resultados - mesmo que não tenham sido satisfatórios. Vamos debater e acrescentar idéias. Cada pessoa é motivada de uma forma, o que funciona para uma pode não funcionar para outra, então quanto mais idéias e experiências conseguirmos juntar, maiores são as chances de que encontremos soluções para a procrastinação que funcionem para o maior número de pessoas possível. Mas por favor, ao comentar este post, atenham-se ao foco da procrastinação, ok?
A relevância disso tudo é que, se você conseguir realizar ao menos 3 coisas (na verdade, apenas uma já seria um excelente começo) que melhorem sua qualidade de vida ou ao meonos te coloquem no caminho de um dia-a-dia ou de uma vida mais gratificante, isso servirá não somente para aumentar a sua energia para correr atrás das coisas mais difíceis, mas também lhe trará a sensação de maior controle sobre a sua realidade, suas circunstâncias, sua vida. E este sentimento também se auto-alimenta, conforme você se vê realizando mudanças e vendo resultados, sua auto-confiança e sua motivação também se elevam. Experiência própria.
Como nota pessoal, eu quero dizer que este ano pra mim tem sido uma enorme experiência/aprendizado no sentido de causar transformações na minha vida. Existe aquele provérbio que diz que de grão em grão a galinha enche o papo. E é verdade. Eu comecei o ano desorientada com relação a praticamente todas as áreas da minha vida. Rapidamente eu percebi que, antes de criar transformações significativas, eu precisava cuidar de coisas básicas que fossem capazes de me permitir maior clareza, mais energia e mais equilíbrio. Eu vi que sem esta base eu não sairia do lugar. Quaisquer tentativas de promover mudanças maiores seriam uma sucessão de frustrações, porque eu não estava alinhada ou em harmonia com meu corpo e minha mente. Então eu priorizei estas coisas: comecei cuidando da minha saúde (isso foi fundamental para me dar mais energia), usando esta energia, comecei a ganhar mais clareza e conforme as coisas foram ficando mais claras, eu fui encontrando formas de achar equilíbrio. Somente com isso em ordem, eu fui capaz de começar outros tipos de transformações. E cada uma destas coisas aconteceu através de pequenos passos que, somados, fizeram uma enorme diferença. Eu ainda estou longe de causar todas as transformações que considero importantes na minha vida, mas hoje tenho uma idéia muito mais clara de quais mudanças são realmente relevantes para mim, estou dando passos reais na direção delas e a sensação de estar no caminho certo não tem preço. E, como eu disse, é tudo uma questão de escolha. Eu já escolhi viver passivamente, muito embora na época eu não tivesse total consciência de que isso era, sim, uma decisão, uma escolha. E os resultados foram péssimos, para dizer o mínimo. E suficientes para me mostrar que esta forma de lidar com a vida não é eficaz, é extremamente limitadora, tem um enorme potencial de perpetuar e piorar situações com as quais já não estamos satisfeitos pra começo de conversa e nos deixa parcialmente cegos com relação à nossa própria capacidade de transformação.
Então, a partir de hoje, se você vem vivendo passivamente, faça uma escolha consciente de tomar controle sobre sua vida e comece dando pequenos passos. Eles farão toda a diferença.